Foi difícil, mas foi bom: valeu, 2025!

2025 não foi um ano fácil para mim e imagino que também não tenha sido fácil para muita gente. Acho que conseguimos chegar à conclusão de que não interessa o que viralizou, nem os milhões de views e muito menos os trending topics. Acho, sinceramente, que estamos descobrindo, finalmente, que o que importa é o outro lado, da verdade sem muitos filtros, da sinceridade, do comprometimento e da empatia. Torço para que a gente tenha entendido a importância da presença, do afeto, do toque, do olhar verdadeiro. Já está provado que mostrar performance na maioria das vezes significa exatamente nada. E sinceramente, que bom poder perceber isso.

Meu projeto é tentar entender por que tenho sempre a sensação de estar correndo, sempre atrasada, sempre produzindo. Uma coisa meio coelhinho de “Alice no país das maravilhas”. Isso me persegue desde sempre. Só que 2025 exigia mais, exigia outra coisa: vida real, imperfeita, sem filtros. Mais verdade, o que sinceramente, sempre fez muito sentido para mim.

Busco me cercar de pensamentos e olhares semelhantes ou se forem diferentes, que eu possa aprender com eles. Busco a inclusão, o sofá de casa, meus cachorros, as pessoas queridas.

Ao passar mais de 20 dias em viagem de trem pelos Bálcãs, voltei transformada. Não entendi muito bem o que estava acontecendo e quem era eu depois dessa imersão profunda em culturas tão diversas e tão sofridas. Foi interessante, muito profundo e, às vezes, muito triste conhecer Bulgária, Kosovo, Sérvia, Bósnia, Eslovênia. Muito difícil organizar os pensamentos e os sentimentos depois de visitar a Macedônia, Sarajevo. Essa viagem fez meu ano virar de cabeça para baixo e me fez pensar em tantos privilégios e em tantas carências. Eu vi paisagens de todos os tipos, conheci gente diversa, de tantas etnias.

Me perdi no tempo e no espaço e foi sofrido me reencontrar.

Terminando este ano, me pergunto: o que tocou mais minha alma em 2025? O que fez eu me sentir, de verdade, que sou de carne, osso, alma e coração?

Porque é isso que importa. É isso que fica. O resto é ruído.


MOMENTOS ÚNICOS

A vitória histórica e a derrota que uniu o Brasil — O fenômeno Fernanda Torres no Globo de Ouro e a campanha até o Oscar criou uma mobilização nacional rara, não pela conquista do prêmio principal, mas pelo sentimento coletivo de pertencimento e orgulho que a gente só via em Copa do Mundo

A reabertura do Teatro de Cultura Artística — Depois de anos fechado, voltou a pulsar em 2025 e merece destaque como um renascimento cultural paulistano silencioso

Lady Gaga em Copacabana — O show gratuito do projeto "Todo Mundo no Rio" reuniu 2,1 milhões de pessoas na praia, com abertura de Pabllo Vittar como DJ. Impacto econômico estimado em R$600 milhões

Bienal de Arte de SP — Este ano lúdica, inclusiva, alegre, únic

QUEM FEZ DIFERENÇA NAS ARTES

Adriana Varejão e Paula Rego — foi no novo CAM, na Fundação Calouste Gulbenkian, que eu senti um orgulho a mais de ter uma alma feminina, de ser mulher: isso aconteceu em Lisboa, na mega exposição conjunta chamada "Paula Rego e Adriana Varejão: Entre os Vossos Dentes". Foi um sucesso de crítica e público, sendo uma das exposições mais importantes do ano na instituição. E eu ainda tive a sorte de participar de um jantar temático com uma visita guiada. Foi um sonho.

QUEM FEZ BARULHO NA MÚSICA

João Gomes Só deu ele: a parceria com Jota. Pê e Mestrinho, a premiação no Grammy Latino 2025, gravação do álbum com Marisa Monte, lançamentos com Ivete Sangalo, Timbalada, Pablo e Solange Almeida. E, detalhe: ele só tem 24 anos

Liniker — Indicada a 7 categorias no Grammy Latino com "Caju", consolidando uma trajetória que merece ser celebrada como um dos grandes momentos do ano

Nação Zumbi — Celebrou 30 anos do disco "Da Lama ao Caos" com turnê europeia

Assucena com João Camarero — Uma parceria sensível dessa cantora com o violonista queridinho do momento

Gilberto Gil — A turnê “Tempo Rei” teve cenário de impacto, colaborações de convidados e a última homenagem a Preta Gil: muita emoção

Marisa Monte — A turnê "Phonica - Marisa Monte & Orquestra Ao Vivo" virou um sonho realizado ao juntar a cantora com uma orquestra de primeira, formada por 50 músicos. Percorreu várias cidades do país e eu assisti no Auditório Ibirapuera, ao ar livre

SÉRIES E TELAS

Pssica (Netflix) — Minissérie dirigida por Fernando Meirelles e Quico Meirelles, passada no coração da Amazônia, sobre tráfico humano

Baby — Drama de Marcelo Caetano que levou Ricardo Teodoro ao prêmio de melhor ator revelação em Cannes, uma história sobre juventude, marginalidade e afeto

Caçador de Marajás — Sobre a ascensão e queda de Fernando Collor, e sobre a história da democracia brasileira — participei com alguns depoimentos e senti na pele a repercussão positiva

O Agente Secreto — O filme sensação de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura, thriller político no Recife de 1977

"Vitória" — Dirigido por Andrucha Waddington, com Fernanda Montenegro e Alan Rocha, baseado na história real de uma senhora de 80 anos que filmou o tráfico na Ladeira dos Tabajaras, no Rio, em 2005

Vale Tudo — A clássica vilã Odete Roitman, maravilhosamente vivida por Debora Bloch, teve um final diferente da trama original: surpreendeu, assim como Cauã Reymond, que interpreta César e foi um espetáculo à parte.

Beleza Fatal — A vilã Lola Argento, protagonizada por Camila Pitanga, transformou essa série numa mania nacional: parabéns ao autor, Raphael Montes

Os Donos do Jogo — Depois da curiosidade sobre o universo do jogo do bicho que “Vale o Escrito” despertou, essa série fez o impossível: deixar todo mundo dependente

Avisa lá que eu vou — Mostrou todo o talento, versatilidade e criatividade de Paulo Vieira, que brilhou também em Pablo & Luizão, baseado em fatos reais de sua família

LITERATURA

Adélia Prado — "O Jardim das Oliveiras" (Record), novo livro de poesia da ganhadora do Prêmio Camões e Machado de Assis em 2024 — a maior

Beatriz Bracher — Venceu o Prêmio Biblioteca Nacional (Romance) com "Guerra I – Ofensiva paraguaia e reação aliada" (Editora 34)

Mariana Salomão Carrara — Venceu o Prêmio São Paulo de Literatura pela segunda vez em três anos com "A árvore mais sozinha do mundo" (Todavia)

Marcílio França Castro — Prêmio São Paulo de Literatura (Estreia) com "O último dos copistas" (Companhia das Letras)

Caetano W. Galindo — "Na Ponta da Língua" (Companhia das Letras), sobre a origem curiosa de palavras do português, foi um dos mais votados do ano pela Quatro Cinco Um

Giovanna Madalosso — “Batida Só” foi emoção e avalanche daquelas que só a autora sabe provocar

Socorro Acioli — Apesar de não terem sido lançados neste ano, foi em 2025 que “Cabeça de Santo” e “Oração para Desaparecer” me arrebataram

Michel Alcoforado — O estrondoso sucesso de “Coisa de Rico” e o descobrimento do universo dos endinheirados brasileiros

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CORTINAS ABERTAS

Lady Tempestade — Sobre os anos da ditadura militar, com Andrea Beltrão em um grande momento

Senhora dos Afogados — Espetáculo do Teatro Oficina que assisti no Sesc Pompéia, com direção de Monique Gardenberg: um Nelson Rodrigues raiz


Os Olhos de Nara Leão — Zezé Polessa com direção de Miguel Falabella: só podia dar algo muito bom

O MUNDO

Salvador Meu porto seguro, sem jogo de palavras, onde gosto de estar no verão

Japão Onde, do outro lado do mundo, eu entendi, mais uma vez, que o simples está nas pequenas coisas, atitudes e gestos

Paris de moto Se eu já amava fazer isso em Salvador, descobri como escapar do trânsito caótico dessa cidade e chegar com adrenalina e pontualidade em qualquer lugar

Santuário de Fátima — Experiência avassaladora, daquelas que transformam, ainda mais para mim, que gosto de manifestações religiosas e dessa energia onde muita gente se reúne com o propósito de rezar

Bálcãs — Feita de trem, envolveu aprendizado técnico e sentimental — “olhar para mim mesma” misturado com sentimentalismo

QUESTÃO DE ESTILO

Ziel Karapotó — Artista indígena que fez releitura das representações históricas de Rugendas na exposição "Todos Falam de Mim, Ninguém Me Representa"

O troca-troca nas marcas de luxo internacionais — principalmente Chanel, Dior, Gucci e Balenciaga

A exposição "Funk" no Museu da Língua Portuguesa — Depois do sucesso no MAR (Rio), chegou a São Paulo ampliada, mostrando o funk como linguagem visual, verbal e comportamental

Exposição “seeing sound, hearing time" — Mostra de Ryuichi Sakamoto, no Museu de Arte Contemporânea de Tóquio: tive a sorte de estar presente

BOM DE VER

As facetas de Xamã — músico talentoso que deu um show como ator

Paolla Oliveira e Aline Maia — muita sensualidade, jogo de cintura e samba no pé no vídeo viral das duas arrasando, ao som de Beth Carvalho

Eduardo Sterblitch — maravilhoso e muito sensível no “Papo de Segunda” — sempre o melhor

ESPAÇOS CULTURAIS

O novo prédio do MASP (Edifício Pietro Maria Bardi) — Dobrou a capacidade expositiva do museu

Casa Kura — Novo espaço cultural paulistano

Casa de Francisca — Cada vez mais necessária no cenário musical

Fortes D'Aloia & Gabriel — Nova galeria nos Jardins, em São Paulo

PESSOAS PARA FICAR DE OLHO

Ricardo Teodoro — Ator revelação de "Baby" premiado em Cannes e parça de Cauã Reymond, em Vale Tudo

Domithila Cattete — Protagonista de "Pssica"

Tania Maria — A Dona Sebastiana, de “O Agente Secreto” — virou a queridinha do Brasil

MICRO-REVOLUÇÕES

O hobby sem monetização — Pessoas aprendendo marcenaria, cerâmica ou latim sem postar no Instagram ou tentar vender cursos

Lectures on tap — Nos Estados Unidos, um grupo começou a ministrar aulas em bares e está fazendo o maior sucesso

Geração Z — Só deu ela: nas roupas de academia, nas mini férias durante as viagens a trabalho e nas novas profissões, como babá de luxo

Desejos de consumo

Não tem nada melhor do que chegar no último dia do ano com a sensação de dever cumprido. Mas também é muito bom fazer as escolhas adequadas para que a gente possa brindar essa data como ela merece. Para este réveillon, aqui estão os meus preferidos do Iguatemi. Feliz Ano Novo!

Na montagem acima, imagem de Josef Albers, Study for Homage to the Square, 1976

1 - Ah, esse look da BDLN , criado por Betina De Luca, é perfeito: branco, sim, mas com uns toques de irreverência

2 - O dourado da bolsa da Loewe remete à fartura que a gente deseja para 2026!

3 - Um novo aroma, uma nova assinatura para o ano que entra: é nas prateleiras da Le Labo que sempre encontro meus favoritos

4 - Marcela B e sua sandálias únicas chegaram em boa hora: sou fã!

5 - Os copos da Branco.Casa trazem frescor com elegância e sofisticação: um brinde à vida!

Direto do meu Instagram

video preview

Marina Sena virou uma das queridinhas do pop brasileiro: sexy e indiscreta, sempre mega bem produzida. Aqui ela faz uma ode ao verão, a melhor das estações, com a colaboração de Pabllo Vittar. Quentura é isso aí!

REVOLUÇÃO VERDE

A Biopower, empresa de biodiesel da JBS Novos Negócios, está acelerando rumo a um novo patamar: acaba de anunciar um investimento de R$ 140 milhões em modernização e tecnologia de ponta nas suas três usinas — em Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC). É o maior aporte desde a construção da unidade catarinense, em 2021, e vem para impulsionar a eficiência e a inovação num momento em que a demanda por energia limpa cresce como nunca. Com isso, a companhia projeta bater seu próprio recorde: mais de 650 milhões de litros de biodiesel produzidos em 2025.


Entre as novidades, está a adoção da chamada esterificação enzimática, um processo moderno que substitui catalisadores químicos por enzimas altamente eficientes. A mudança permite transformar mais resíduos — como sebo bovino e até óleo de cozinha usado — em combustível renovável, reduzindo desperdícios e ampliando a produtividade. O projeto começa a ser implantado ainda neste ano e deve ser concluído até meados de 2026.

Mais do que um investimento industrial, o movimento reforça o modelo de economia circular da JBS: quase 99% de cada bovino processado pela companhia é aproveitado, e esse reaproveitamento gera combustível, empregos e desenvolvimento regional.

Domingo que vem, 4 de janeiro, nossa newsletter vai dar uma escapadinha da sua caixa de entrada. O motivo é nobre: nossas férias coletivas, um descanso necessário pra gente colocar o cérebro em modo “areia nos pés, água do mar”. Prometemos voltar na semana seguinte, mais criativos ainda e com bateria recarregada. Muito obrigada por tudo que rolou esse ano entre nós, foi lindo.
No ano que vem tem mais!

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