A sofisticação dos pequenos, os encontros inesperados e uma celebração: viva a mulher de verdade!

Fui até ali e voltei. Voltei revigorada. Voltei mais feliz do que fui. Pronta para começar tudo. Cheguei assustada com o caso do estupro no Rio, com o comportamento selvagem daqueles rapazes. Assustada com os números do feminicídio no Brasil. Que mês de março será esse? Com guerra se espalhando, com a política por aqui em estado de ebulição. Fui assistir ao show de estreia de Zeca Veloso com a participação de seu pai. Zeca e Caetano cantando juntos numa intimidade e cumplicidade únicas resgatou minha alma. Sim, o Brasil tem jeito.


A IMPORTÂNCIA
DE UMA VIDA EM CORES

Tenho a impressão de que muita gente passou os últimos anos morando dentro de uma bolha bem tranquilinha, numa paleta de cores mais básica… Explicando melhor: o bege em todas as suas variações, do areia ao aveia, do cappuccino ao “não sei nomear, mas combina com tudo” tomou conta de ambientes por todo lado e também das redes sociais. O minimalismo virou senha de pertencimento. A contenção virou etiqueta de status. E, de repente, parecia que a vida inteira tinha sido traduzida para o idioma do “luxo silencioso”, do “old money”, do armário-cápsula que promete liberdade enquanto entrega um uniforme.

E isso não se aplica apenas a cores ou tons neutros na decoração, mas também sobre o tipo de mulher que a cultura decidiu aplaudir nos últimos anos, bem nesse mesmo “clima”: contida, impecável, eficiente, minimalista, com o coque esticado e a vida inteira organizada para parecer que não dá trabalho. A “clean girl” virou um ideal que, no fundo, pede mais do que aparência: pede disciplina emocional. Pede suavidade permanente. Pede que a gente seja bonita, mas não barulhenta. Bem-resolvida, mas não intensa. Elegante, mas não inconveniente. E tem um preço aí: quando a contenção vira símbolo máximo de status, a personalidade começa a parecer excesso. A profundidade, uma extravagância.

Por isso fiquei interessada quando li numa newsletter que a maré está virando. Que a pergunta voltou a ser “o que você está pensando?”. Que, no lugar de ficar provando e avaliando produtos que comprou — o chamado fashion haul —, aparece a menina com um romance de verdade na mão, indo a museus sozinha, tendo aulas de cerâmica, fazendo balé, criando clubes do livro que levam a literatura a sério. A nova “It Girl” não é só o look. É a mulher com substância, com repertório, com histórias que se sustentam numa mesa de jantar sem pedir socorro ao celular.

E é aqui que esse Dia Internacional da Mulher se encaixa como uma luva: essa tal “nova onda” é quase uma recusa delicada, mas firme, de caber no molde. Uma reivindicação de vida interior. De gosto próprio. De fascínios de nicho. De bagunça humana. Num mundo obcecado por curadoria visual e perfeição, escolher ser interessante é um ato de autonomia — e até de uma certa rebeldia. Escolher ler, pensar, se aprofundar, ter fluência em arte, história, ideias, é quase dizer: eu não existo só para ser vista. Eu existo para viver.

Talvez seja exaustão de algoritmo, talvez seja fome de profundidade depois de anos rolando numa superfície infinita. Mas publicar isso hoje tem um sabor especial, porque lembra que a nossa história sempre foi também uma disputa por espaço: espaço no mundo, espaço no trabalho, espaço na conversa, espaço na própria cabeça. E se o verdadeiro poder agora é ter repertório sem precisar checar a tela, ter gosto próprio sem pedir autorização, ter pensamento como acessório principal, só podemos comemorar: que bom que o bege saiu de cena.


GOSTO APURADO

Aquele combo infantil de fast-food, a batata frita como prêmio moral, a caixinha colorida como se fosse um troféu de sobrevivência da semana viraram uma cena eternizada na cabeça. Era simples, era barato, era quase um ritual de infância. Só que, como tudo o que parecia definitivo na nossa formação, isso também virou peça de museu. A Geração Alfa, esses pequenos que já chegam ao mundo com um repertório que a gente só foi descobrir depois de adulto, resolveu que o novo nugget é… peixe cru. E, claro, o drama agora não é mais “meu filho só come macarrão”, mas “meu filho só quer sushi”.

Eu juro que, quando li o artigo do Wall Street Journal, pensei em duas coisas ao mesmo tempo: primeiro, que o mundo realmente saiu do eixo. Segundo, que faz sentido quando a gente olha com calma para o que virou a rotina de criar uma criança hoje. Porque a imagem é deliciosa e absurda: crianças de seis anos sentadas com a solenidade de um crítico gastronômico, esperando o chef escolher a próxima mordida, enquanto os pais fazem aquela matemática silenciosa no canto do cérebro. Uma mãe chegou a brincar que a pior decisão financeira da vida dela foi ter apresentado salmão e atum para os filhos de 6 e 8 anos. O motivo é o mesmo de sempre, só que com outra embalagem: recompensa. Terminou a lição? Ganha prêmio: um omakase.

A pergunta óbvia é: por quê? De onde saiu essa paixão, tão cedo, por um tipo de comida que muita gente da nossa geração ainda olhava com desconfiança? A explicação mais interessante é essa: eles já nasceram sem o bloqueio cultural que a gente herdou. Para esses pequenos, não existe a “coragem” de comer cru. É só comida. E tem também o teatro, claro, a apresentação caprichada. O encanto de pedir algo “adulto”. Dominar os palitos, os hashis, dá a eles uma sensação deliciosa de independência, como se estivessem participando de um clube exclusivo que os pais nem sabiam que existia.

Mas que fique claro: essa história não é só “lá fora”: o Brasil também está passando por essa mesma virada, com pais e mães descobrindo que o gosto infantil mudou de patamar e que, junto com o paladar, vem um susto na hora da conta.

A gente fica tentado a julgar e dizer que se trata de uma “geração mimada”, um luxo, um exagero mesmo. Pode até ser, mas não deixa de ser um movimento inusitado. Mas não dá para esquecer que é uma vitória quando os pais encontram um prato que seus filhos comem felizes e sem reclamar.

Talvez o luxo que esses pais estejam pagando a peso de ouro não seja o atum gordo ou o salmão. Talvez seja algo muito mais raro, e muito mais caro, do que qualquer ingrediente: o alívio. O pequeno milagre de um jantar em paz. E, sinceramente? Nesse mundo de tarefas, prazos, recompensas e exaustão crônica, eu entendo. Não aprovo esses altos gastos, mas entendo. Afinal, se a infância mudou de lugar, o cansaço dos pais continua exatamente no mesmo. Só que agora ele vem servido numa cerâmica artesanal bonita, com arroz adocicado e pauzinhos.

SENTINDO E VIVENDO

Sabe aquela ida ao supermercado numa noite qualquer, meio no piloto automático, quando a maior preocupação é lembrar o que falta na geladeira e não esquecer a sacola reutilizável? Em San Francisco, Califórnia, numa quinta-feira dessas, o corredor do supermercado Trader Joe’s, uma marca meio roots e que normalmente é território de carrinho apressado e lista mental, virou um palco de encontro com gente jovem circulando com rosas na mão e crachás no peito, como se a vida tivesse decidido brincar de baile, só que entre gôndolas.

O que eu acho irresistível nessa história é o quanto ela parece simples: perceber algo que todo mundo sente, mas finge que não: o mercado é um lugar naturalmente propício a encontros. Tem desculpa perfeita para cruzar olhares, para esbarrar, para comentar qualquer bobagem. Só que, hoje em dia, a gente não sabe mais exatamente o que pode e o que não pode, como se flertar em público tivesse virado um esporte proibido ou, no mínimo, constrangedor. E aí vem o detalhe que entrega o nosso tempo: não faltava vontade, faltava uma permissão. Uma estrutura mínima. Um combinado silencioso que dissesse: aqui, tudo bem tentar.

A prova de que o desejo estava ali, só esperando uma faísca, é quase cômica: mais de 500 solteiros apareceram nessa ocasião. Pense na cena: aquelas pessoas que foram só comprar, de fone no ouvido, pensamento longe, olhando etiqueta, de repente atravessadas por um evento social que ninguém avisou. De um lado, o consumidor comum tentando sobreviver à própria rotina. Do outro, a turma do encontro, ensaiando conversa no meio do corredor, fingindo que escolhe produto para disfarçar a timidez, puxando assunto sobre literatura como quem pega um livro na estante da sala de alguém. A vida real tem dessas ironias deliciosas: às vezes a gente vai atrás de um item — e encontra um clima.

E como todo sucesso espontâneo, a coisa virou grande. Chegou a formar fila no quarteirão e precisaram organizar entrada e saída, como se o flerte também precisasse de logística. Eu gosto desse contraste: o romantismo de “olhar nos olhos” convivendo com a necessidade prática de controlar o fluxo. O século XXI cabe inteiro nesse detalhe. A gente quer voltar ao básico, mas com a garantia do acesso.

Tem outra camada aí que me deixa pensando: esse evento era de graça, com doação opcional para um banco de alimentos local. Isso muda o tom: não é uma festa elitista, não é um clube com senha. É um encontro com uma energia mais aberta, quase comunitária, em que o constrangimento diminui porque existe uma causa, um gesto de gentileza que suaviza tudo. Como se, ao tirar a pressão do “estou aqui para arrumar alguém”, a coisa ficasse mais humana: a pessoa pode só estar ali, circulando, existindo, sem precisar performar.

No fundo, o que essa invasão ao hortifruti escancara é uma fadiga que já não dá mais para disfarçar. A gente terceirizou o romance para sistemas frios, para perfis editados até o osso, para aquele teatro de imagem em que ninguém parece de verdade. E, de repente, o grande luxo vira uma ousadia muito antiga: sustentar um olhar. Puxar conversa. Se expor ao risco mínimo de levar um “não” ou de ouvir um “oi” sem filtro. E assim a conexão humana volta a circular.


PROCURA-SE
UMA SAÍDA

Outro dia a gente imaginava o futuro como um filme barulhento, cheio de metal rangendo, sirenes e humanos correndo em câmera lenta. Mas, neste caso específico, o futuro, quando resolveu aparecer, veio de mansinho, descalço, com as mãos juntas e uma calma quase provocativa. Num templo em Kyoto, o Shoren-in, foi apresentado um monge robô. Sim: um monge. E não é um boneco decorativo para foto de turista: ele caminha devagar, se curva, faz o gesto de oração e olha para a pessoa com aquela paciência que ninguém mais tem tempo de praticar.

O nome é quase um spoiler, desses que a gente perdoa porque tem graça: Buddharoid. Por trás do corpo está um sistema chamado BuddhaBot-Plus, uma espécie de “ChatGPT com hábito”, treinado a partir de escrituras budistas. A proposta é direta e, por isso mesmo, inquietante: oferecer orientação espiritual e conversar sobre dilemas pessoais e sociais em tempo real, como faria um mestre humano. A palavra-chave aqui não é robótica, é presença. O robô foi feito para estar ali, diante de alguém, sustentando a pausa, suportando a pergunta, sem desviar os olhos para uma notificação do celular.

E aí entra a parte menos futurista e mais triste: a necessidade. O Japão está envelhecendo, os jovens se afastam da religião e há uma previsão dura de engolir: quase 30% dos templos budistas podem desaparecer até 2040 por falta de sucessores. Esse buda robô não seria, portanto, um capricho tecnológico, e sim uma tentativa de manter a tradição respirando quando já não há gente suficiente para ocupar o lugar. Como se, diante do risco de silêncio, a máquina fosse convocada para preencher o intervalo.

Essa mistura de fé e circuito não nasceu ontem. Em 2019, surgiu o Mindar, um robô caríssimo no papel de Deusa da Misericórdia, mas ali o roteiro era fixo: sermões gravados, uma performance de repetição. O Buddharoid promete outra coisa: escuta interativa. A ideia de um “agora” compartilhado. E isso muda tudo, porque as pessoas buscam, no fundo, não apenas ouvir uma fala bonita, mas sim serem ouvidas sem pressa, sem julgamento, sem a impaciência do mundo: alguém que aguente o que a gente joga para fora quando não sabe mais onde colocar.

Já terceirizamos tanta coisa para os algoritmos: a agenda, a rota, o trabalho, o entretenimento, a opinião alheia. Agora, ao que parece, estamos começando a terceirizar também a alma. Não no sentido religioso grandioso, mas nessa camada íntima das angústias, do “o que eu faço com isso que estou sentindo?”, do “por que estou tão cansada?” Esse talvez seja o retrato mais fiel do nosso tempo: num mundo exausto, a figura com paciência infinita precisou ser construída em laboratório.

Ao mesmo tempo, há algo de estranhamente coerente nisso. Se a tradição depende de continuidade e a continuidade depende de gente, quando a gente falta, o que sobra? Uma tentativa. O Buddharoid não substitui um humano, claro, mas talvez funcione como ponte: um jeito de não deixar a porta do templo fechar de vez, um jeito de criar uma rede de apoio quando os fios humanos estão se rompendo. É uma solução? É um sintoma? É os dois. A pergunta incômoda é: como foi que a gente chegou a um ponto em que precisou programar alguém para nos escutar?

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IMPORTAÇÃO DE HÁBITOS

Tem uma fadiga muito específica no jeito como a gente aprendeu a “cuidar de si”. Aquela rotina de bem-estar com cara de planilha: suco verde, salada fria, café como combustível e uma pressa que nem se disfarça. A promessa era simples e quase moral: se você fizer direitinho, você vence o cansaço. Só que o cansaço não é uma prova: é uma vida inteira acontecendo ao mesmo tempo.

E aí, de repente, a bússola vira. Eu li uma reportagem num jornal chinês sobre uma tendência que está fazendo o Ocidente olhar para o outro lado do mundo com o apetite de quem quer um manual novo: “Becoming Chinese”, algo como “tornando-se chinês”. O que antes era “coma leve, viva leve”, agora passa a ser “aqueça, proteja, fortaleça”. Trocar a salada por caldo de ossos. Trocar o café por água quente, para ajudar a digestão. Calçar chinelos dentro de casa para evitar o tal “han qi”, essa energia fria que o corpo “absorve”. E, para a ansiedade corporativa, tai chi e qigong, duas práticas tradicionais, entram como antídotos do estresse, como se o corpo finalmente pedisse menos performance e mais ritmo.

O motor dessa virada é quase sempre o mesmo: uma pessoa jovem, uma estética e um algoritmo com fome. Tudo começou, meio sem querer, com os vídeos de uma influenciadora de 23 anos. Viralizou com uma força que dá até tontura: passou de 20 milhões de visualizações e virou efeito dominó em gente que se sente órfã da própria internet. Na matéria, aparece um detalhe delicioso e muito contemporâneo: uma legião de “refugiados do TikTok”, jovens que, com medo da rede ser banida, migraram para um aplicativo chinês chamado RedNote. E aí acontece a magia prática do nosso tempo: com tradução por inteligência artificial, o intercâmbio cultural explode e vira uma espécie de corredor sem alfândega entre rotinas, hábitos e identidades.

Especialistas leem isso como sintoma de uma desilusão com as normas sociais do Ocidente. Eu entendo que há um cansaço de regras que fingem ser naturais: o jeito certo de comer, o jeito certo de ser produtiva, o jeito certo de “dar conta”. Quando a gente perde a fé na própria cartilha, qualquer outra cartilha parece sabedoria ancestral. E, de verdade, existe um lado bonito nisso: essa curiosidade que tenta desmontar preconceitos, que procura um modo mais humano e equilibrado de atravessar os dias. É comovente ver tanta gente jovem admitindo, ainda que sem dizer em voz alta, que a nossa fórmula de autocuidado virou mais um trabalho.

Mas aí vem a saia justa emocional, porque quando uma cultura vira tendência de bem-estar, quando vira objeto de consumo, quem nasceu dentro dela nem sempre se sente homenageado. Às vezes, se sente usado. A própria influenciadora que popularizou isso tudo lembra que, na escola, era alvo de piadas por levar macarrão na lancheira: os colegas diziam que parecia minhoca. E isso tem uma crueldade quase didática, porque expõe o mecanismo inteiro. Primeiro, você é ridicularizada por ser quem é. Depois, o mundo decide que aquilo é “cool”. E você assiste, com um misto de alívio e raiva, ao seu cotidiano virar acessório.

Depois da pandemia, com toda a tensão e o preconceito que explodiram naquele período, ver acupuntura dolorosa e ventosaterapia subirem ao pódio do “desejável” tem um gosto agridoce. De repente, práticas que carregavam estigma viram passaporte estético, e surge até uma personagem: a “Chinese baddie”, essa versão descolada e cheia de atitude de uma identidade transformada em look. O problema não é alguém querer aprender. O problema é aprender sem escutar. É pegar a casca, vestir a casca e chamar isso de profundidade.

E eu fico pensando como a gente se comporta diante dessas ondas. Ontem, foi o minimalismo nórdico. Hoje, é a medicina chinesa. Amanhã, pode ser qualquer outra migração simbólica, ou até geográfica. A juventude global parece viver num provador infinito de identidades: experimenta um ritual, posta, muda a pele, segue em frente. Tem algo de busca legítima aí, e ao mesmo tempo, um risco enorme de transformar o “outro” num spa, numa vitrine, num atalho de autocuidado.

A pergunta que me acompanha é bem simples e bem difícil: essa vontade de copiar rituais, de se conectar com um outro modo de viver, vai conseguir atravessar a superfície da tela? Porque adotar chá quente e tigela de macarrão é delicioso, claro. Mas a revolução não está no que a gente bebe. Está no que a gente reconhece. Se essa curiosidade servir para produzir empatia real, para enxergar pessoas e histórias com menos exotismo e mais respeito, aí sim muda alguma coisa. O resto é só mais uma tendência passando pela nossa vida com chinelos novos e pressa antiga.


Desejos de consumo

O Dia Internacional da Mulher é celebrado dia 8 de março, exatamente neste domingo, mas as comemorações podem sim durar o mês inteiro. Fiquei pensando em tudo que elas merecem por tanta dedicação, por jornadas duplas e por tantas outras qualidades mais… Por isso, nas minhas escolhas desta semana no Iguatemi, fiz questão do bom e do melhor: a gente merece!

Na montagem acima, imagem de William Klein, Simone + Nina, Piazza di Spagna, 1960

1 - Esse vestido todo de couro recortado, decotado, de Patricia Vieira, faz qualquer mulher sonhar…

2 - Que tal coroar uma data dessas com esse relógio Panthère, da Cartier, cravejado de brilhantes?

3 - E na hora de chegar em casa e assistir a uma série no sofá, jogada e relaxada, nada melhor do que essa manta de cashmere da Burberry

4 - E que pele e que rosto não ficam agradecidos com esse super sérum hidratante Hydra-Global da Sisley?

5 - E, como assim? Flores? E que mulher não ama recebê-las? Um clássico com ar moderno, esse bouquet da Flower Bar


Nesta semana, recebo Costanza Pascolato para uma conversa sobre elegância, comportamento e as transformações da moda ao longo das últimas décadas.

Falamos sobre o início da moda brasileira, o lifestyle carioca, as novas gerações e o que o jeito de se vestir revela sobre quem somos.

A conversa completa está no meu canal do YouTube.
https://www.youtube.com/p8R_FbYLbzc

3 perguntas para

Mel Marcondes entrou no mundo da arte por uma porta menos óbvia: não apenas pelo encantamento, mas pela curiosidade diante da engrenagem que sustenta o encantamento. O que costuma ficar fora do enquadramento, produção, montagem, edição, logística, mediação, para ela virou linguagem. É nesse “entre” (entre pessoas, instituições, países e prazos) que o trabalho dela ganha forma. Hoje, Mel atua no circuito europeu de galerias, na Mendes Wood DM, em Bruxelas.

Na conversa, Mel volta a uma origem longe dos grandes centros e descreve a arte como algo que, por muito tempo, parecia mais imaginário do que plano. A virada veio quando ela entendeu que o fascínio não mora só na obra, mas também nas condições que permitem que a obra exista e circule. Desde então, sua trajetória se organiza como uma prática de bastidor que também é pensamento: observar sistemas, construir pontes, sustentar encontros. E ganha uma camada inesperada quando a música entra em cena: como DJ, Mel trata a pista como espaço de convivência e pesquisa afetiva, onde curadoria vira ritmo e narrativa vira transição. Entre o cubo branco e a cabine, ela segue habitando esse território intermediário, onde o trabalho é justamente fazer as coisas acontecerem.

1. Quando você percebeu que queria trabalhar com arte não só pelo encantamento, mas pela máquina que faz tudo acontecer? Como você chegou nesse universo?

Cresci em Londrina, no Paraná, e me mudei para São Paulo para estudar. A arte não fazia parte do meu cotidiano de forma estruturada enquanto eu crescia. Meus pais sempre foram muito abertos e curiosos, mas existe uma limitação de acesso quando não se vive em grandes centros culturais. Trabalhar com arte era mais um imaginário distante do que um plano concreto. Cheguei nesse universo por caminhos tortos e muito felizes. Minha formação inicial não era diretamente em arte. Estudei comunicação na ESPM e comecei a trabalhar muito cedo, aos 19 anos. Durante a faculdade, surgiu uma vaga de estágio no MASP e acabei entrando para a equipe de editorial e produção. Foi um momento muito especial, o Adriano Pedrosa tinha acabado de assumir a direção artística e o museu vivia uma fase de intensa transformação. Participei de processos que me marcaram profundamente, desde rotinas editoriais até montagens que hoje fazem parte da história recente da instituição. Costumo dizer que o MASP foi minha grande escola, não só profissional, mas de vida.

Depois senti vontade de expandir esse olhar e me mudei para Bangkok, onde trabalhei por um ano e meio em uma galeria chinesa. Foi uma experiência importante para entender outras dinâmicas de mercado e viver a Ásia, um território que sempre despertou minha curiosidade. Nesse período, comecei a me preparar para o mestrado e fui aceita no Arts Management da Bocconi, em Milão. O mestrado foi o primeiro momento em que pude estudar teoricamente o campo em que já atuava na prática, uma espécie de pausa reflexiva dentro de um percurso muito movido pela experiência.


2. Trabalhar com arte brasileira no circuito internacional muda o olhar de fora ou o seu olhar de dentro?

Moro em Veneza há mais de sete anos e, inevitavelmente, isso deslocou minha percepção sobre o Brasil e sobre o circuito internacional. Viver fora cria uma espécie de dupla consciência: você passa a observar sua cultura com mais distância e, ao mesmo tempo, com mais responsabilidade. De certa forma, acabei me tornando “a brasileira que mora em Veneza” e esse lugar de mediação me levou a diversos projetos e colaborações. Trabalhar com arte brasileira aqui é perceber como o olhar de fora ainda carrega curiosidades, estereótipos e lacunas, mas também um desejo genuíno de escuta. Isso me faz repensar constantemente como narrar o Brasil sem simplificações, valorizando sua complexidade e suas contradições.

Ao mesmo tempo, o contato com o circuito internacional amplia meu próprio olhar. Estar nesse “entre”, nesse “living in between”, faz com que eu entenda a arte brasileira não apenas como origem, mas como linguagem em trânsito. No fim, acho que a mudança acontece nos dois sentidos, o olhar de fora se transforma, mas o meu olhar de dentro também nunca mais é o mesmo.


3. Você atua também como DJ em alguns eventos. Você monta um set como quem monta uma exposição?

A música sempre esteve muito presente na minha vida social. Tenho muitos amigos DJs e produtores e sempre fui uma pessoa de pista, de festa como espaço de encontro e pesquisa afetiva. Em determinado momento, impulsionada por viagens e curiosidade, comecei a colecionar vinis e o digging virou quase um gesto curatorial. Percebi que essa pesquisa musical se conectava muito com o que já fazia na arte. Buscar narrativas, criar atmosferas, pensar ritmos e transições. Morando em Veneza, uma cidade com vida noturna bastante sazonal, senti vontade de criar um espaço de encontro para quem vive ali. Assim nasceu uma festa de verão que organizo no Lido de Veneza, chamada Festa Fresca, muitas vezes recebendo amigos brasileiros que estão em turnê pela Europa. Esse projeto acabou se tornando mais do que uma festa, é uma pequena ponte afetiva entre Brasil e Europa, entre pesquisa musical e convivência. A música virou outra forma de ativar esse território intermediário que atravessa minha vida.

Acho que para montar um set existe uma relação, mesmo que intuitiva. Assim como em uma exposição, um set cria percurso, tensão e pausa. Mas também preciso admitir que ainda estou em processo de descoberta. Comecei a tocar há relativamente pouco tempo e muitas vezes meus sets são guiados pelo instinto e por acertos e erros. Existe algo de improviso que me interessa, uma espécie de escuta ativa do momento. Talvez a semelhança maior com a curadoria seja essa atenção ao ambiente e à narrativa, mas com uma diferença importante: na pista, tudo acontece em tempo real. O erro, o acaso e a surpresa fazem parte. E é justamente esse estado de risco leve que torna a experiência tão viva.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Recebi a confirmação de que Gero Fasano vai fazer um livro para ser distribuído aos amigos, com algumas pensatas e tiradas recolhidas de suas postagens no Instagram


Comi as melhores frutas vermelhas dos últimos tempos na manhã do Hôtel De Paris Monte-Carlo, em Mônaco


Entrei no túnel do tempo assistindo ao Festival de Sanremo na Rai 1


Jantei no L’Abysse, um restaurante japonês maravilhoso, com um superchefe de classe: o cardápio era assinado pelo chefe Yannick Alléno


Descobri que a turma do Sushi Vaz abriu um novo lugar que eu estou louca para conhecer: o Nori Vaz


Li que o Buckingham Palace vai abrir uma exposição histórica com o maior acervo já reunido de roupas da rainha Elizabeth II — a mostra celebra os 100 anos que ela completaria em 2026


Descobri que a nova obsessão do TikTok não é um suco milagroso nem um suplemento exótico, mas… água quente: a moda agora é beber um copo em jejum e outros durante o dia


Fiquei orgulhosa na inauguração da mostra que comemora os 50 anos de arquitetura de meu amigo Isay Weinfeld, no Instituto Tomie Ohtake


Fui visitar a mostra Aberto, desta vez instalada na Casa Bola, do arquiteto Eduardo Longo — um marco na cena de São Paulo


Comprei no aeroporto de Nice o livro novo de Haruki Murakami, um dos meus escritores favoritos


Recebi uma massagem, no spa do hotel em Mônaco, feita com óleo de abacate e conchas do mar: inesquecível


Comi crepes suzette como há muito tempo não fazia, no café do Hôtel De Paris Monte-Carlo, em Mônaco


Voltei superanimada de viagem com companhias maravilhosas: delícia estar com Sonia Sahao, Patricia Carta, Maria da Paz Treffaut e Décio Galina


Fui acompanhada por uma lua cheia no início da viagem de volta ao Brasil


Que amo uma collab, fiquei animada com a nova entre a marca Staud e a Birkenstock


Recebi um livro muito interessante sobre os prédios de São Paulo, organizado pela turma dos Refúgios Urbanos.


Não consegui ir ao jantar do grupo Belmond na Casa Jereissati — soube que foi lindo


Incluí na agenda a mostra “Um certo mundo caipira”, que acontece quinta-feira na Marcenaria Baraúna

Vi que o salsichinha Leo foi a estrela do casamento do piloto Charles Leclerc — que graça!

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Uma mulher que merece ser ouvida: por isso escolhi a harpista Julie Campiche, com seu som e voz impactantes, para esta homenagem às mulheres. A canção se chama Maman du Ciel e tem a ver com sua própria história: sua filha mora com o pai, a quem ela acusa de condutas graves. Um som profundo e sentido…

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