As garotas-cabeça, os novos aditivos e o velho e bom silencio: calma que tem mais!

No mesmo mundo onde tem a guerra no Oriente Médio, a crise desencadeada pelos arquivos de Jeffrey Epstein nos Estados Unidos e na Inglaterra, e as nossas mazelas daqui, neste mesmo mundo tem Brasil concorrendo ao Oscar, tem Chay Suede em parceria com Felipe Hirsch, Caetano Galindo e Daniela Thomas, tem Reggaeton explodindo. É impressionante como cabe de tudo nesse caldeirão — mas precisa mexer bem para poder sobreviver. Bem-vindos ao caos. E que a gente que tenha sorte.


A FUNÇÃO DO PENSAMENTO

Durante muito tempo, a performance feminina nas redes pareceu obedecer a um roteiro bastante rígido: pele impecável, rotina milimetricamente filmada, café bonito, luz perfeita, vida editada até a última cutícula. Havia ali uma espécie de disciplina da superfície, como se a mulher ideal precisasse ser não apenas bonita, mas visualmente irretocável o tempo todo. Só que esse modelo, de tão repetido, começou a dar sinais de exaustão. E talvez seja justamente aí que a coisa fica interessante: quando a imagem já não basta mais, a inteligência volta a brilhar.

Um artigo sobre a ascensão da chamada it-girl literária captou bem essa virada. O que está emergindo agora é uma figura que me diverte muito mais do que a da mulher supostamente perfeita. Não porque ela rejeite o estilo, muito ao contrário, mas porque entendeu que, num mundo em que a estética virou linguagem universal, o que realmente diferencia alguém é o que existe por trás da imagem. Não basta mais parecer interessante. É preciso sustentar a promessa. O charme, agora, não mora só no look, mas principalmente no repertório.

As celebridades, sempre tão sensíveis ao espírito do tempo, já perceberam isso. A cantora Dua Lipa transformou a leitura em acontecimento coletivo com o Service95. A modelo Kaia Gerber entrou nesse mesmo campo. A cantora britânica Charli XCX e o cantor australiano Troye Sivan foram para o formato newsletter. O que antes poderia soar introspectivo demais, ou até um pouco antissocial, ganhou outro valor. Ler em público, carregar um livro, cultivar uma conversa menos óbvia, tudo isso passou a produzir uma nova forma de magnetismo. Quase como se a vida interior tivesse voltado à moda.

E eu acho revelador que isso esteja acontecendo justamente agora, no auge da saturação. Porque não se trata apenas de um capricho cultural ou de uma nova tendência simpática para as redes sociais embalarem. Existe um cansaço real em curso. Cansaço de imagem demais, de estímulo demais, de rolagem demais, de opinião rasa demais. Cansaço de uma tecnologia que promete facilitar tudo, mas às vezes só nos deixa mentalmente mais preguiçosos. Nesse contexto, trocar o feed infinito por um texto longo, por uma newsletter bem escolhida, por uma curiosidade de nicho, deixa de ser pose e começa a parecer sobrevivência.

Talvez o ponto mais agudo dessa história esteja no fato de que a estética se democratizou. Hoje, com mais acesso, mais referências e mais velocidade, muita gente consegue se vestir bem, entender tendências, compor uma imagem desejável. Isso já não distingue tanto. O que distingue é outra coisa: saber pensar, saber associar, saber nomear o próprio gosto. Em outras palavras, o luxo deixou de ser apenas a posse de certos códigos visuais e passou a ser a capacidade de interpretá-los. Não é só ter bom gosto. É saber de onde ele vem, por que ele importa e o que ele diz sobre o mundo.

Há alguma coisa de muito sedutora nessa virada — porque ela devolve valor a uma dimensão que vinha sendo achatada: a profundidade. A nova mulher não se limita à ficção confortável, nem à vitrine de si mesma. Ela assina newsletters políticas, coleciona interesses específicos, cultiva uma vida mental que não precisa ser imediatamente fotogênica para existir. E isso, para mim, é libertador. Num ambiente em que tudo precisa ser instantaneamente consumível, escolher complexidade já é quase um gesto de independência. Bom saber que o meu jeito de ser virou até tendência.

O que está em jogo não é uma troca simplista entre beleza e inteligência, como se uma anulasse a outra. É outra coisa. É a percepção de que a imagem, sozinha, empobrece. E de que o verdadeiro poder talvez esteja justamente na combinação entre forma e substância. Entre presença e pensamento. Entre estilo e estofo. Num mundo obcecado por superfícies, nada me parece mais sofisticado do que alguém que ainda tenha assunto.


PAUSA PARA CONTEMPLAÇÃO

Tem um tipo de cansaço que não aparece nas pernas, não pede banho gelado, não rende medalha nem relógio marcando desempenho, mas derruba do mesmo jeito. Li no The Washington Post uma coisa que me pareceu muito precisa para nomear esse cansaço bem contemporâneo: pensar demais exaure quase como uma maratona. Não porque fez demais, mas porque pensou demais. Porque a cabeça, quando resolve entrar em circuito fechado, transforma uma frase boba dita no mercado, uma decisão banal ou um futuro que nem chegou em material de desgaste real. O corpo embarca, o sono se desorganiza, a energia some, e o dia acaba com a sensação incômoda de que houve um esforço imenso sem nenhum movimento visível.

O que eu acho fascinante nessa história é como a gente ainda romantiza o excesso de pensamento, quase como se ele fosse sinal de profundidade, preparo ou inteligência. Como se repassar mentalmente uma conversa banal, antecipar todos os cenários possíveis de um futuro inexistente ou travar diante de uma escolha miúda fosse uma forma sofisticada de controle. Só que não é. O pesquisador e psicólogo Ethan Kross faz uma distinção valiosa entre a voz interior que ajuda a refletir, planejar e seguir em frente e aquilo que ele chama de “chatter”, uma espécie de tagarelice mental improdutiva. A diferença entre uma coisa e outra talvez seja justamente esta: uma organiza a vida, a outra sequestra.

Tem algo de muito interessante na sugestão de não transformar a própria cabeça em campo de batalha. Porque quanto mais se tenta expulsar um pensamento à força, mais ele ganha importância, como uma visita inconveniente que percebeu que está incomodando e decidiu ficar. A proposta, então, é menos heroica e mais inteligente: notar o padrão. Perceber para onde a mente foi. Nomear o que está acontecendo sem pânico, sem teatro, sem transformar tudo em ameaça. Terapeutas sugerem esse tipo de checagem ao longo do dia, quase como quem abre a janela para ver que tempo está fazendo, só que dentro de si. Acho bonito isso, porque devolve presença sem exigir perfeição.

Também gosto muito da ideia de criar distância do próprio drama. Perguntar se aquilo ainda vai importar daqui a uma semana, um mês, um ano. Lembrar de outras dores que já pareceram definitivas e mal deixaram rastro. Ou até conversar consigo mesma usando “você” em vez de “eu”, como quem empresta à própria aflição um pouco mais de perspectiva e menos vertigem. É um jeito de sair do centro do redemoinho sem precisar fingir que ele não existe.

E talvez a dica mais engraçada de todas seja esta: marcar hora para a preocupação. Dar um horário ao pensamento insistente, em vez de deixá-lo morar em tempo integral na sala de estar. Se ele aparecer antes, tudo bem, mas não agora. Depois nós conversamos. Existe alguma coisa de muito adulta, quase maternal, nesse pacto com a própria cabeça. E, quando o ruído segue alto demais, volta-se ao mais básico e mais sábio: mudar o cenário, arrumar a mesa, caminhar, procurar a natureza, fazer alguma coisa com as mãos e com o corpo. A ação interrompe a ficção mental e devolve um tipo de controle que pensar demais nunca entrega.

Talvez a gente tenha treinado por tempo demais esse músculo de transformar qualquer incômodo em roteiro dramático. Desaprender leva tempo. Mas há um alívio imenso em perceber que nem todo pensamento merece crédito, palco e trilha sonora. Às vezes, o gesto mais revolucionário do dia não é insistir no replay. É, simplesmente, apertar o pause.

CARA NOVA, VELHO CANSAÇO

Teve uma época em que o energético era vendido como um teste de virilidade em lata. Não bastava espantar o sono: era preciso fazê-lo com barulho, cor radioativa, nome de operação militar e uma promessa meio animalesca de potência. A embalagem berrava antes mesmo de abrir. Havia ali uma estética de guerra, de excesso, de quem não podia simplesmente estar cansado, precisava transformar o cansaço em performance. E isso diz muito sobre o mundo que a gente habitava.

Tem sido curioso perceber que o produto mudou menos do que a fantasia em torno dele. Como mostrou uma reportagem da The Atlantic, os ingredientes continuam ali, firmes e fortes, quase os mesmos de sempre: cafeína, taurina, guaraná. O que passou por uma cirurgia plástica foi o discurso. A brutalidade saiu de cena, entrou o autocuidado. No lugar da lata que parecia um aviso de perigo, entraram as embalagens finas, elegantes, quase delicadas. Teve marca que entendeu cedo esse novo idioma e trocou a lógica de atacar o mundo pela promessa de ajustar o próprio corpo. O energético, de repente, deixou de ser uma ferramenta de excesso e virou um acessório de bem-estar, uma espécie de academia portátil.

E aí a coisa fica interessante, e um pouco perversa. Porque não se trata exatamente de uma revolução moral da indústria, mas de uma leitura muito esperta de mercado. As marcas perceberam que não existe nada de masculino em estar exausto. E, num mundo em que as mulheres correm para dar conta de tudo, havia um filão inteiro esperando por uma embalagem lilás. O setor foi sendo tomado por latinhas em tons pastéis, promessas mais suaves, nomes mais palatáveis, uma atmosfera de lifestyle que transforma estímulo químico em rotina aspiracional. A exaustão ganhou verniz. Ficou mais bonita na foto. Mais fácil de consumir sem culpa.

Focadas agora no público feminino, as estratégias mudaram: a mesma lógica que antes mandava “libertar a fera” agora aparece com margaridinhas, promessas para pele e cabelo e sabores que parecem saídos de uma cartela de esmaltes. É difícil não enxergar o truque: o mercado apenas trocou o figurino. Sai o imaginário agressivo, entra a feminilidade decorativa. Sai a força bruta, entra a doçura performática. Mas a operação continua sendo a mesma: identificar uma insegurança coletiva e vender, em lata, um atalho para suportá-la.

Talvez a parte mais incômoda dessa história esteja justamente no que ela revela sobre o nosso tempo. Um estudo da Universidade de Akron já havia mostrado que o marketing original dos energéticos cobrou um preço real na saúde e no sono dos homens jovens, ao empacotar inadequação física e ansiedade em campanhas sedutoras. O que se vê agora não é o fim desse mecanismo, mas a sua atualização estética. A insuficiência permanece. A sobrecarga permanece. O cansaço permanece. O que muda é a linguagem usada para torná-lo vendável.

A grande inovação não está dentro da lata: está na capacidade de transformar a fadiga em identidade desejável. O mercado olhou para a nossa exaustão crônica, passou um gloss, escolheu uma paleta mais fofa e fez dela o novo produto da estação. Continuamos cansadas, só que agora com branding.


ENFIM, SÓS

Andar em silêncio virou quase uma afronta delicada ao nosso tempo. Sem música, sem podcast, sem a companhia automática de uma voz no fone de ouvido para preencher o trajeto. Só você, o barulho da rua e aquilo que aparece quando não há mais para onde correr: os próprios pensamentos. Parece banal, eu sei. Mas talvez justamente por isso tenha ganhado esse ar de luxo raro.

A febre da vez gira em torno dessa experiência simples e ligeiramente desconcertante: sair para caminhar sem transformar o percurso em trilha sonora, aula de produtividade ou anestesia portátil. Às vezes, nos primeiros momentos, a sensação pode ser de puro caos mental. Eu entendo perfeitamente: quando a cabeça finalmente fica sem muleta, ela primeiro tropeça. Só depois encontra um compasso. Aos poucos, a névoa baixa, a ansiedade perde volume e as ideias começam a circular com mais liberdade, como se estivessem esperando apenas um pouco de espaço para entrar.

O mais curioso é que isso tenha precisado ganhar nome, vídeo e status de tendência para ser notado: anos atrás, ninguém sentiria necessidade de discutir o que significa andar sem ouvir nada. Mas a nossa relação com os aparelhos ficou tão colada à pele que o silêncio passou a soar quase radical.

Talvez seja por isso que tanta gente estranhe a proposta. Há algo de quase ameaçador em caminhar sem distração nenhuma, sem uma voz externa guiando o pensamento, sem uma playlist amortecendo o mundo. Um estudo de 2014 mostrou que, diante da possibilidade de simplesmente ficar a sós com a própria mente, algumas pessoas preferiam levar um choque elétrico. É uma imagem meio chocante, claro, mas muito eloquente. A solidão mental assusta porque ela nos devolve para dentro.

E, no entanto, talvez seja exatamente aí que mora o alívio. Psicólogos lembram que o ritmo manso do caminhar não exige tanto do cérebro, o que abre espaço para o devaneio, para aquela onda boa em que a cabeça deixa de ser empurrada e começa a fluir. Num mundo em que tudo precisa render, até o nosso lazer foi sequestrado pela lógica do aproveitamento máximo. Caminhar sem música, sem podcast, sem nada tocando no fone de ouvido talvez seja uma das poucas maneiras de interromper essa engrenagem por alguns minutos.

Essa história não fala apenas sobre uma tendência de bem-estar. Fala sobre o quanto desaprendemos a estar presentes sem mediação. E talvez o verdadeiro artigo de luxo dos nossos tempos seja justamente esse: sair pela porta, colocar um pé diante do outro e suportar, com alguma ternura, a própria companhia.

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COMO MAMÃE?

Sabe aquela cena clássica da criança imitando a mãe na frente do espelho? Pois é. O que antes era brincadeira com um pingo de creme virou negócio seríssimo. Li um artigo na que me deixou passada: a indústria do skincare, a nossa famosa rotina de cuidados com a pele, agora está mirando nos bebês e nas crianças pequenas — sim, você leu certo…

O que era faz de conta virou mercado. Já existe uma máscara facial de tecido para crianças a partir de quatro anos porque as filhas queriam reproduzir os gestos das mães.

E talvez seja justamente aí que a coisa fique mais reveladora: a indústria percebeu que não basta mais vender beleza para as mães. Agora, quer vender a cópia da cópia, embalando o impulso infantil de imitar em sérum, na faixa de cabelo. Tudo com aquela aparência inocente de diversão, como se passar produto no rosto fosse só mais uma extensão de pintar as unhas numa festa do pijama.

Mas não é só isso. Entre os mais velhos da Geração Alfa, essa engrenagem já ganhou velocidade própria. Crianças ocupam corredores da Sephora como que num parque temático, consumindo marcas de adultos caras e carregadas de ativos que não foram pensados para elas. E há algo de muito eloquente no fato de meninas tão novas já guardarem cremes em frigobares no quarto: não é apenas um hábito. É uma estética inteira sendo antecipada, com seus códigos de pertencimento, sua ideia de maturidade e, principalmente, sua pedagogia silenciosa de insatisfação.

O que mais me chama a atenção nessa história é o quanto ela parece vender autonomia quando, no fundo, encurta o tempo da descoberta. Psicólogos alertam para isso com razão: quando a criança recebe o produto pronto, embalado e legitimado, perde-se uma parte preciosa da imaginação. Brincar de ser adulta é uma coisa. Ser tratada como consumidora de inseguranças em miniatura é outra bem diferente. Há uma fase deliciosa da vida em que a criança já ensaia independência, mas ainda não foi tragada pela autoconsciência cruel da aparência. Talvez seja justamente essa fase que esteja sendo espremida.

Nem tudo precisa ser transformado em ritual. Nem toda vontade infantil precisa virar linha de produto. Às vezes, a verdadeira pele perfeita da infância é justamente aquela que ainda não foi convocada a se corrigir.


Desejos de consumo

Muita gente não gosta, mas eu amo rotina, o que inclui também rotina de treinos diários. Uma vez de volta ao dia a dia, depois de um verão intenso, nada melhor do que praticar nossos exercícios preferidos e que nos mantém saudáveis. Esse foi o tema das minhas escolhas da semana no Iguatemi. Vamos nos exercitar?

1 - Pensei logo nessa calça tipo alfaiataria da Alo Yoga, que vai do treino à vida

2 - Só de olhar, esses tênis Nike já nos chamam: bora treinar?

3 - Para depois de todo e qualquer esforço, um bom banho com o gel de limão e Mandarinas da Jo Malone: delícia!

4 - … e aquele chá reconfortante depois de um dia intenso? Esse bule da Tânia Bulhões traz o charme necessário…

5 - Nessa sacola da Track & Field cabe tudo que a gente precisa durante e depois das práticas: toalha, garrafa d’água, nécessaire com produtos de beleza, tudo!


Nesta semana, recebo o fotógrafo Bob Wolfenson para uma conversa sobre carreira, criação e as transformações da fotografia ao longo das últimas décadas.

Falamos sobre retrato, direção de pessoas diante da câmera, referências, mudanças no mercado da imagem e o impacto das novas tecnologias, inclusive a inteligência artificial, no trabalho de quem construiu uma das trajetórias mais marcantes da fotografia brasileira.

Bob também revisitou momentos importantes da sua carreira e compartilhou histórias de bastidores que ajudam a entender como a fotografia se constrói no encontro entre técnica, repertório e experiência.

A conversa completa está no meu canal do YouTube.
https://www.youtube.com/oqvSNZYnnsQ

3 perguntas para

Mini Kerti entrou na direção do jeito que alguns filmes começam: sem alarde. Antes de “assinar” um set, ela atravessou o bastidor inteiro: um aprendizado feito de camadas, de olho treinado no detalhe e mão acostumada a sustentar o todo, até o instante em que a vontade de escolher passou a falar mais alto do que a vontade de apenas executar. Dirigir, no vocabulário dela, tem algo de paradoxo: decidir o tempo todo e, ainda assim, deixar frestas para o imprevisto fazer seu trabalho secreto. Talvez por isso os filmes e séries que carrega tenham esse pulso de vida. Mesmo quando há método, a cena ainda respira.

Diretora e produtora carioca, com trajetória marcada por documentar a arte brasileira, Mini costuma usar a música como lente para falar do país, como no doc “Refavela 40”, indicado ao Emmy Internacional. Também foi cocriadora e codiretora de “Sob Pressão”. Entre um e outro, o que se desenha é uma assinatura discreta e firme: a de quem filma com ouvido atento, faro de história e coragem de escolher.

1. Quando você percebeu que queria dirigir, e não “só” trabalhar no audiovisual?

Foi acontecendo devagar, um processo gradual. Trabalhando como assistente de direção fui dominando o processo e senti vontade de tomar decisões. O diretor faz escolhas o tempo todo, é um exercício diário de concepção e escolha. Ao mesmo tempo é preciso deixar acontecer. E lidar com o imprevisto.

Antes de dirigir, passei por várias funções: fui assistente de produção, produtora, pesquisadora, assistente de edição e assistente de direção. Eu trabalhei muito tempo dirigindo publicidade e videoclipes. E aos poucos fui migrando para o conteúdo, longa, documentário e series. Foi um processo longo e orgânico de aprendizado.

Continuo sendo produtora até hoje, mas agora dos meus próprios projetos. Também participo intensamente da construção do roteiro pensando a história, as cenas e os personagens. Nos documentários ainda mais, porque o roteiro de não ficção é realmente construído na ilha de edição.


2. Qual é o seu ‘critério secreto’ para escolher um projeto musical: a obra, a persona, ou o que aquilo diz sobre o Brasil?

Ah… geralmente a escolha nasce de uma paixão, de um amor, de um encantamento. Não é um processo muito racional. Sou fascinada pelo Brasil, pela nossa cultura, música, arte, cinema e teatro e tenho uma vontade imensa de falar sobre isso. “Dona Onete – Meu coração neste pedacinho aqui”; “Refavela 40”; “Andre Midani - do Vinil ao Download” e “Jorge Mautner - Khaos em Ação” são séries e filmes documentais sobre nós brasileiros. Mas também me interessa falar sobre comportamento e sobre como vivemos nesse país. O “Sob Pressão” é isso, o “Juntas e Separadas” também.

Gosto de procurar temas menos óbvios, histórias e personagens que surpreendam, que muitas vezes estão meio “escondidos”, para revelá-los ao público. Isso nem sempre é simples, porque no Brasil muita coisa ainda é guiada pelo mercado. Ao mesmo tempo, somos um país extremamente potente justamente pela nossa diversidade e quantidade.

Eu sou louca para falar sobre o samba. Já tentei algumas vezes, de diferentes formas. Desenvolvo muitos projetos, mas alguns acabam ficando pelo caminho e não saem do papel, o que sempre dá uma certa tristeza. O samba, claro, não vai desaparecer. Mas eu vou! Então quero muito conseguir fazer um filme sobre samba antes que isso aconteça.


3. O que é ‘bom gosto’ na sua linguagem: cortar ou insistir?

Que pergunta difícil. Acho que a resposta certa seria cortar. Mas, na prática, sou uma pessoa insistente. Quando acredito em alguma coisa, costumo insistir bastante antes de decidir abrir mão. Ao mesmo tempo, é importante saber insistir com sabedoria. E, se perceber que não está funcionando, ter coragem de cortar sem piedade.

Direto do meu Instagram

Essa Semana Eu…

Acompanhei a estreia do elevador instalado na Casa do Povo, no Bom Retiro, na região central de São Paulo — um espaço de cultura do qual eu faço parte


Soube que Bad Bunny usou uma roupa da Bode, uma de minhas marcas preferidas, em seu show de Tóquio


Fiquei encantada com o pouco que eu vi do palazzo que o estilista Dries Van Noten inaugurou em Veneza


Achei mega charmosa a nova bolsa lançada por Isabel Marant, batizada de Maia

Encontrei Patrícia Pilar num jantar maravilhoso na casa de Luisa Strina — como ela está linda e plena


Celebrei com Carlinhos Carvalho e Jorge Choi a abertura de um novo restaurante, o Kosushi, no Iguatemi de Brasília


Fiquei com água na boca quando vi a nova bota lançada pela Miu Miu — amei


Participei de uma experiência inusitada montada pela Vivo em frente ao shopping Cidade de São Paulo, na Avenida Paulista: trata-se de um alerta para a nossa dependência de conexão, com vivências muito especiais — foi demais !


Saí muito impressionada na estreia de Chay Suede no Teatro Cultura Artística, em “A Vida e As Opiniões do Cavalheiro Roobertchay”, dirigido por Felipe Hirsch, com textos de Caetano Galindo e cenários de Daniela Thomas: retumbante


Comemorei o destaque que o Iguatemi recebeu em duas publicações internas, a WWD e a revista Monocle, como porta de entrada do luxo global no Brasil: as publicações destacam o papel da companhia na conexão entre marcas internacionais e o consumidor brasileiro, em um mercado de luxo em expansão


Assisti aos episódios atrasados de “Love Story” e estou acompanhando a repercussão nos Estados Unidos das críticas à série sobre a vida de John F. Kennedy Junior e Carolyn Bessette


Vi que a nova coleção lançada pela Burberry foi inspirada no centenário de nascimento da rainha Elizabeth II, em parceria com a Royal Collection Trust


Participei da gravação do programa The Noite, entrevistada por Danilo Gentili, nos estúdios do SBT — foi engraçado!


Descobri que Harry Styles encontrou em “Do que eu falo quando falo de corrida”, de Haruki Murakami, mais do que um livro favorito: encontrou um empurrão silencioso para correr maratonas e pensar a vida — ele participou, no passado, da maratona de Tóquio e de várias outras depois disso


Estava parada no trânsito na rua da Consolação, nos Jardins, quando olhei para o lado e vi dois mamoeiros repletos de mamões: São Paulo tem dessas surpresas


Soube que Sarah Ferguson, a duquesa de York, foi apelidada de “condessa do sofá” depois de, segundo tabloides, ficar sem residência fixa e passar a se hospedar na casa de amigos — não só em Londres, mas também em Nova York, encontrar abrigo virou um drama desde que o nome do príncipe Andrew virou um dos destaques no caso Epstein


Passei momentos muito especiais entrevistando o arquiteto Eduardo Longo em sua casa bola, que abriga a mostra Aberto, tudo para o canal Somos Conversa do Iguatemi — que cara único e original ele é


Fiquei mais uma vez apaixonada pela cena de Viviane Araújo fingindo que não está apaixonada por Belo, na novela das 21h: que delícia ver os dois que antes foram namorados/casados, agora, depois de tanto tempo e tantas águas roladas, como par romântico


Coloquei na agenda de quinta-feira (19) o lançamento do estilista Geová Rodrigues, que mora há muito tempo em Nova York, e vai mostrar seus trabalhos em São Paulo, na Casa Operandi

Fiquei acompanhando de longe a passagem do escultor e ceramista nipo-brasileiro Megumi Yuasa pelos Estados Unidos para sua primeira exibição solo, com direito a grande entrevista para a revista do The New York Times: conheço os trabalhos dele há muito tempo e sou grande admiradora

video preview

Se Sting por si só já é bom, imagine ele se apresentando no belíssimo Rijksmuseum de Amsterdã, entre pinturas de Rembrandt e Vermeer? Acompanhado por seu guitarrista de longa data, Dominic Miller, ele compartilha histórias de sua carreira e interpreta clássicos incluindo alguns dos tempos do The Police. Um sonho….

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